A seguir, apresentamos uma lista de países da América Latina e do Caribe ordenados de acordo com seu produto interno bruto (PIB) em valores de paridade de poder de compra (PPP), que representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país em um ano, ajustados à sua paridade de poder de compra. Esse indicador econômico foi introduzido no início da década de 1990 pelo Fundo Monetário Internacional para comparar de forma mais realista o padrão de vida entre os diferentes países da América Latina.
A paridade do poder de compra é uma das medidas mais adequadas para comparar os padrões de vida, em contraste com o produto interno bruto per capita, pois leva em conta as mudanças nos preços. Esse indicador elimina a ilusão cambial relacionada às flutuações nas taxas de câmbio, de modo que a valorização ou a desvalorização de uma moeda não afetará a paridade do poder de compra de um país, uma vez que os habitantes desse país recebem seus salários e fazem suas compras na mesma moeda. Em outras palavras, ele permite que as taxas de câmbio entre as moedas sejam tais que uma moeda tenha o mesmo poder de compra em qualquer lugar do mundo no mesmo ano.
Deve-se observar que os dados usados pelo Fundo Monetário Internacional correspondem a perspectivas ou previsões econômicas, enquanto as informações fornecidas pelo Banco Mundial são definitivas e usadas pela ONU. Para a análise do desenvolvimento econômico e das condições de vida de um país, os dados do Banco Mundial são geralmente usados, enquanto que para análises de longo prazo e com foco macroeconômico, os dados do FMI são preferíveis.
O Programa de Comparação Internacional (ICP), do qual a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) participa, publicou hoje as novas Paridades de Poder de Compra (PPPs) para o ciclo de 2021.
De acordo com os resultados, a América Latina e o Caribe representam 7,3% do Produto Interno Bruto (PIB) global e 8% da população mundial. Este relatório é baseado em dados coletados durante o ciclo de 2021, em colaboração com a CEPAL.
Os resultados mostram que o tamanho da economia mundial foi de quase US$ 152,4 trilhões medidos em termos de PPC. Mais da metade da produção total do mundo veio de economias de baixa e média renda.
A maior economia do mundo em 2021 foi a China, com um PIB medido em PPP de US$ 28,8 trilhões, representando 18,9% do PIB global. Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com quase US$ 23,6 trilhões (15,5% do PIB global), enquanto a Índia ficou em terceiro lugar, com US$ 11,0 trilhões, representando 7,2%. Essas três economias representavam 41% da população mundial e 42% do PIB mundial com base na PPP.
Na América Latina e no Caribe, o Brasil, com US$ 3,7 trilhões, e o México, com US$ 2,7 trilhões, foram as duas maiores economias da região. Juntos, eles contribuíram com 57% do PIB regional, que, por sua vez, contribuiu com 7,3% do PIB global.
O ICP é uma das mais importantes iniciativas estatísticas globais, coordenada pelo Banco Mundial sob os auspícios da Comissão de Estatística das Nações Unidas. O ciclo 2021 do ICP é a décima comparação desde que a iniciativa foi lançada, há mais de 50 anos, e fornece informações sobre 176 economias participantes, incluindo 39 países da América Latina e do Caribe.
A CEPAL coordena a implementação do Programa na região desde 2011, embora sua participação remonte a 2005.
De acordo com esses resultados, globalmente, a média do PIB real per capita de todos os países participantes foi de aproximadamente US$ 20.271 em 2021. O nível mais alto foi encontrado na América do Norte (mais de US$ 69.423), enquanto o mais baixo foi encontrado na África Subsaariana (pouco mais de US$ 4.430). Cerca de três quartos da população global vivem em economias com gastos per capita abaixo da média mundial.
Na região da América Latina e do Caribe, o PIB per capita foi, em média, de US$ 18.560, abaixo da média global de US$ 20.271, e com grande heterogeneidade entre os países.
O relatório acrescenta que o bem-estar material médio, medido pelo consumo individual médio (AIC) per capita, foi de US$ 13.842 na região, um pouco acima da média mundial de US$ 12.948.
Além disso, são apresentadas informações detalhadas sobre outros componentes da despesa, como o investimento. Em termos per capita, as economias de alta renda gastaram 2,6 vezes a média mundial em investimentos, enquanto as economias de renda média-alta ficaram um pouco acima da média mundial. As economias de renda média-baixa gastaram cerca de um terço, e as economias de baixa renda, menos de um décimo da média mundial de gastos com investimentos per capita.
O conjunto completo de dados referentes ao PIB e seus principais componentes (despesas de consumo das famílias e do governo, formação bruta de capital fixo e absorção doméstica) pode ser encontrado no site do Banco Mundial dedicado aos resultados do ICP.
Durante o segundo semestre de 2024, a CEPAL publicará uma análise detalhada dos resultados desse ciclo para a região da América Latina e do Caribe, incluindo uma descrição das metodologias utilizadas.
Escrito por Luis